quinta-feira, 27 de setembro de 2012

A compaixão de uma amiga


Comecei a me distanciar sem pensar no sofrimento que causava aquela mulher que com a minha presença já ganhava seu dia. Mesmo desprezada, Lúcia vivia em meu nome, por minha felicidade, mesmo não usufruindo os prazeres da carne, nem míseros beijos. Lúcia perdera o calor. Um corpo gélido e sereno tomou conta dessa mulher. Nem os lugares que ousava frenquentar a pouco tempo chamavam-lhe a atenção. Pompa, esplendor, e sociabilidade simplesmente desapareceram de seu mundo. Parecia que estava decidida a se desvencilhar de seu corpo defunto. Parte de si que considerava de valor nulo, depósito de suas impurezas. Sempre que podia hesitava ao meu toque, valorizando nossa conversa, um simples olhar. Já reconhecia a dor dessa mulher. Uma dor que estava impregnada e eternizada em seu corpo. Era inimaginável, mas surgia uma viva amizade fraternal e pura entre nós. Partilhávamos nossas abstrações de juventude... 

Um comentário:

  1. Agora compreendo, Paulo. O motivo pelo qual Lúcia se ausentava das noites, bailes e boemia se resumia no sentimento entre vocês. Não imaginava que algo se tornaria tão forte em tão pouco tempo!

    ResponderExcluir